A minha última experiência amorosa fez-me colocar a seguinte questão: "Estará a fidelidade e a decência tão fora de moda?". A verdade é que a frase mais típica de quem pinta fora das linhas é "eu embrulhei-me com ela, mas amo-te a ti". Serão os pares de cornos os novos ramos de flores? Serão as traíções as novas caixas de bonbons? E, acima disso, deveremos recebê-las com a mesma naturalidade com que recebemos os presentes dos nossos eternos (ou não) apaixonados? E se sim, ainda é suposto agradecer?
É nestas alturas que acabo por invejar os descomprometidos... Eles compram chocolates para eles próprios e, para eles, é realmente suposto pintar por fora porque não há linhas, não há limites e não devem nada a ninguém.
Devo, então, convencer-me de que petiscar em vários cafés em simultâneo é permitido a todos? Que um anel no dedo serve apenas para dizer: "eu pinto por fora, mas tenho linhas e os outros nao"?
Fora isso, como é que se desculpa e se passa por cima da traíção? Como é que se tira a imagem da cabeça?
Cá para mim, e isto sou só eu, quem quer colorir com alguém tem que aprender a não pintar por fora... Mas, pelos vistos, a moda instalou-se. Por isso, meninas, conformem-se. E lembrem-se, estejam sempre preparadas para ouvir: "Comprei-te um presente a meias com a tua melhor amiga".
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
sábado, 29 de janeiro de 2011
Reiniciar
Ela tornou-se noutra coisa, passou a ver o mundo de outra forma. Tudo isto quando ele partiu, quando o coração dela deixou de esperar por ele e quando ele deixou de correr para ela. Agora a direcção é outra, para ambos. Ele foge dela para encontrar alguém que o faça sentir que o Inverno pode ser quente; ela foge dele para evitar entrar no ciclo vicioso de novo: ama-lo, ama-lo, ama-lo…
Ele esqueceu-se dela, literalmente. Na sua cabeça já não consta as tardes ou as noites, os pequenos momentos ou as grandes situações. Foi como se tivesse mudado de vida, de cidade, de país, de planeta. Esqueceu-se dela e deles e de tudo o que isso trazia.
Ela? Ela mudou a sua linha de horizonte e o seu ponto de fuga, arranjou uma nova perspectiva e voou com outras asas. Mas sempre com ele na cabeça, sempre com um bocadinho dele na pele e no coração. Tudo mudou, nada mudou, o mundo virou-se ao contrário e ela moldou-se de novo. Reinventou-se e aceitou todas as consequências de tal decisão.
“Perder-te foi como se me tivessem tirado o ar, foi cair no vazio. Uns meses ou anos depois, porque este vazio impede-me de saber exactamente quanto tempo já passou, sinto me bem diferente desde a ultima vez que os meus lábios tocaram nos teus. Se me vires, não te enganes com a minha aparência; a cabeça erguida é fachada e o sorriso é triste. Faço o que posso para sobreviver, e a arrogância é fruto da dor interior. Tive que mudar, fartei-me de ser pisada e espezinhada. Não quer dizer que agora ande por cima de alguém, não tenho como objectivo atingir o topo, só não me quero afundar. E espero honestamente que, ao leres este fragmento de uma confissão repleta de passado e vazia de futuro, percebas que nunca te quis mal e que nada foi em vão. Não sou vulgar, sempre rejeitei tal característica. Mas nunca fiz nada de especial… O meu nome será esquecido, os meus feitos enquanto pessoa serão ignorados e nenhum monumento será dedicado a mim. Mas fiz algo que muita gente não fez, amei uma pessoa com toda a minha alma e coração e dei-lhe o possível e o impossível, mesmo que isso tenha levado a melhor parte de mim. Essa pessoa foste tu, mesmo que não o aceites ou reconheças. Senti a necessidade de te escrever porque não acho justo o que fazes. Não acho justo que passes por mim com indiferença e que não tenhas a mínima curiosidade para me conhecer. Porque, graças a ti, estou diferente, com todos os aspectos positivos e negativos que isso possa ter. E eu sei que, embora eu o tente negar, se chegar uma resposta tua, eu vou perder o ar de novo. Porque é isso que tu me fazes, matas-me devagarinho e não pareces importar-te. Sabes que mais? És o meu assassino favorito porque quando me matas, dás-me a oportunidade de colar os meus bocadinhos todos outra vez. E depois vens e matas-me de novo. Sei de ti o que me deste a conhecer, o que agora não existe porque quem eras comigo nunca existiu. Eram mil e uma máscaras que despertavam mil e um sentimentos. Tu não eras real, mas os meus sentimentos eram, isso posso garantir. E mesmo que já não me faças dançar de alegria pelo quarto, mesmo que não despertes sorrisos e mesmo que não estejas aqui, ficarás em mim por tudo o que te dei. E espero ter servido para alguma coisa, espero que tenhas aprendido tudo o que te tentei transmitir. E lá no fundo, sei que não falhei… Tu falhaste e falhaste demasiadas vezes. Mas sinto falta de morrer a teus pés.”
Ele arranjou alguém para a substituir, ela arranjou várias pessoas para preencherem o vazio que ele deixou. Ele conseguiu, ela não. Porque ele nunca se prendeu e ela não se consegue soltar. E, como qualquer outra pessoa, ela ainda chora de vez em quando, ainda grita e ainda desespera, ainda perde o fôlego.
“ Esqueci-me de te dizer que, seja lá onde a tua cabeça anda, espero que estejas feliz. Eu não estou porque sempre fui uma grande confusão, mas espero mesmo que tenhas encontrado um lugar melhor. E não sei se tencionavas responder-me, mas peço-te que não o faças. Porque já é difícil respirar.
Como é que tiraste a minha imagem da cabeça e o meu cheiro da tua pele? Como é que te esqueceste de mim? Tu deves ser tão triste… A sério, deve ser péssimo não ter nada para dar a alguém. Tu não tens nada e é isso que te impede de cair. Eu pus o meu destino nas tuas mãos e tu brincaste com ele. Tu estragaste-me e depois devolveste-me, como se já não te apetecesse brincar. E quero que saibas que o que andas a dizer de mim não me atinge… Porque posso estar despedaçada, mas estou sempre um nível acima de ti. E se alguma vez estivéssemos nivelados, sentirias vertigens. Não, não te quero na minha vida, quero só que me expliques como é que entraste. Foram 2 anos, 2 anos e eu não recebi nada de ti. Mas não me esqueci do que te dei e é isso que me faz falta: ter alguém a quem me entregar. Jura por tudo que não vais voltar, porque eu não consigo lidar com tudo isto outra vez. Não voltes, não me mates, poupa-me a mais uma rodada. Estou a fazer o que deveria ter feito à imenso tempo… Estou-te a dizer “adeus”, meu falso destino, porque a fantasia que poderás aparecer à minha porta já morreu. Tu morreste dentro de mim e eu não acredito na ressuscitação. Fartei-me de esperar por ti, ninguém espera para sempre. Adeus, este é o fim de uma história que nunca deixou de ser história. É o fim da eternidade.”
Vai demorar, mas ela vai esquecê-lo. E ele vai acordar um dia e perceber que ela era o que ele precisava. Mas não existem finais felizes, e posso assegurar que ela não vai estar lá para assistir a tal descoberta. É o fim da eternidade.
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