A minha última experiência amorosa fez-me colocar a seguinte questão: "Estará a fidelidade e a decência tão fora de moda?". A verdade é que a frase mais típica de quem pinta fora das linhas é "eu embrulhei-me com ela, mas amo-te a ti". Serão os pares de cornos os novos ramos de flores? Serão as traíções as novas caixas de bonbons? E, acima disso, deveremos recebê-las com a mesma naturalidade com que recebemos os presentes dos nossos eternos (ou não) apaixonados? E se sim, ainda é suposto agradecer?
É nestas alturas que acabo por invejar os descomprometidos... Eles compram chocolates para eles próprios e, para eles, é realmente suposto pintar por fora porque não há linhas, não há limites e não devem nada a ninguém.
Devo, então, convencer-me de que petiscar em vários cafés em simultâneo é permitido a todos? Que um anel no dedo serve apenas para dizer: "eu pinto por fora, mas tenho linhas e os outros nao"?
Fora isso, como é que se desculpa e se passa por cima da traíção? Como é que se tira a imagem da cabeça?
Cá para mim, e isto sou só eu, quem quer colorir com alguém tem que aprender a não pintar por fora... Mas, pelos vistos, a moda instalou-se. Por isso, meninas, conformem-se. E lembrem-se, estejam sempre preparadas para ouvir: "Comprei-te um presente a meias com a tua melhor amiga".
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