Meu querido, digo-te com a maior das tristezas que perdeste um grande amor.
Não sabes sentir, não sabes mesmo. Desconheces o significado de "preocupação", "amor" e "dedicação". Digo-te que agora é tarde para os aprenderes, mas devias começar a familiarizar-te com o significado de "solidão" - vais senti-lo na pele, vai bater-te de frente e deitar-te ao chão, tal como aconteceu comigo. O mais triste de tudo é que eu amei sozinha este tempo todo. Amei por ti e por mim e, de acordo com o vasto conhecimento que possuo de historias de encantar, não deveria ser assim.
Vais bater no fundo e vai doer. Mas, acredites ou não, digo-te que não vai doer nem metade do que me doeu a mim.
Não desejo mal a ninguém, mas não te desejo bem. Desejo que aprendas às tuas custas o que é a indiferença quando pensas que fazes toda a diferença. Desejo que aprendas o que é dar tudo e acabar com nada, lutar horas e horas seguidas para depois perceberes que estás a lutar sozinho. Desejo também que aprendas que quando se gosta, faz-se tudo; que venha o que vier, o amor deve prevalecer.
O amor é intemporal e eu continuo a amar, mas não a ti. Amo com menos preocupação, com menos esforço, com menos dedicação e mantenho o nível a que me entrego no minímo. Sabes porquê? Porque me estragaste, danificaste-me.
Mas o mundo dá muitas voltas e um dia vais acabar por cair tal como eu caí. Mas eu sei levantar-me, por muito impossivel que isso pareça agora.
Enfim. End of story.
Amei, lutei e perdi - há que caminhar de cabeça erguida. E quanto a ti, meu querido, espero que aproveites estes momentos em que és rei porque, contigo, tudo é sol de pouca dura e a roda da vida não deixa ninguém de pé.
Agora vai embora, e leva as tuas coisinhas todas, tornei-me inabitável para pessoas que se limitam a passar pela vida.
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